Escolher um portátil para um curso de Engenharia é, acima de tudo, uma questão de planeamento, não só de desempenho, e começa com três perguntas-chave: que tipo de trabalho precisas mesmo de fazer no teu portátil, o que já existe nos computadores dos laboratórios da universidade e se o portátil que escolheres continuará a ser agradável de usar no último ano.
Quando respondes a estas três perguntas, a pesquisa encurta depressa. Para a maioria dos estudantes de Engenharia, a resposta acaba num portátil profissional recondicionado, porque foi pensado para anos de uso intensivo e, quando sai das grandes empresas, chega a preços compatíveis com um orçamento de estudante. Recondicionado significa um equipamento usado, cuidadosamente testado, reparado, se necessário, e classificado antes de voltar a ser vendido. E todos os portáteis na refurbed incluem sempre pelo menos 12 meses de garantia.
O modelo ideal depende de qual destas perguntas pesa mais no teu caso. Três respostas cobrem a maioria dos cursos de Engenharia, e todas estão disponíveis na nossa secção de portáteis recondicionados.
Trabalhos, programação e relatórios, com software pesado a correr nos computadores da faculdade. Um ThinkPad de classe empresarial. O ThinkPad T14 G3 é o modelo mais equilibrado, e o ThinkPad T480s responde a orçamentos especialmente apertados nos primeiros anos.
Se vais mesmo precisar de CAD, simulação ou renderização no teu próprio portátil. Uma workstation móvel como o ThinkPad P15 G2, tendo em conta o peso extra na mochila.
Se o curso é mais virado para programação, já usas Apple e tens alternativa para ferramentas exclusivas de Windows. O MacBook Air M2, com apenas 1240 g e uma bateria de 52,6 Wh.
Todos os anos surgem as mesmas cinco dúvidas, e nenhum teste de desempenho responde a todas.
Já escolhi a especialidade, mas não faço ideia de que programas vou precisar no terceiro ano. É normal. O primeiro ano costuma resumir-se a apontamentos, navegação na internet e uma cadeira introdutória de programação. Mais tarde aparecem CAD, simulação, circuitos ou ferramentas de FPGA, e geralmente ninguém avisa com grande antecedência.
O departamento publica uma configuração mínima, mas quem a comprou diz que aquilo encrava. Os mínimos oficiais garantem instalação, não uma utilização confortável em projetos reais. Vê-os como ponto de partida, não como meta.
Será que ainda vou conseguir usar este portátil no último ano ou vou ter de comprar outro? O que mais limita não é tanto o processador, mas a memória disponível e o estado da bateria. Vale a pena investir na memória e, se for preciso, reservar mais tarde algum orçamento para a bateria.
Onde é que as pessoas gastam demais e de que é que costumam arrepender-se por ter poupado? Gastam demasiado em placas gráficas que quase nunca chegam a usar. O arrependimento mais comum é ter ficado com memória impossível de aumentar depois.
Metade das recomendações parece vir de quem quer vender. É sensato ter esse pé atrás. Um bom teste às recomendações é simples: alguma vez o conselho é poupar? Se nunca é para gastar menos, desconfia.
16 GB é mesmo o mínimo recomendável num curso de Engenharia. Chega para ter browser, editor, compilador e documentos abertos sem drama.
32 GB é o valor ideal para quem já trabalha com projetos grandes, malhas complexas ou simulações em paralelo. Se vais precisar de 32 GB ou não, depende de esse trabalho ser feito no teu portátil ou em máquinas da faculdade.
O ponto essencial a confirmar antes de comprar é este: a memória está soldada à motherboard ou não? Memória soldada não se troca depois, por isso, nesse caso, convém comprar logo o máximo de que vais precisar. Modelos com slot de memória permitem adiar a decisão, e isso conta, sobretudo se ainda não sabes que programas vais usar mais à frente.
As configurações variam conforme o vendedor, por isso confirma sempre a quantidade de memória indicada no próprio anúncio. DDR4 ou DDR5 indica apenas a geração da memória, não a capacidade.
Os departamentos de Engenharia têm computadores em laboratório, servidores com software licenciado, desktops remotos e clusters para projetos. Quem pode contar com tudo isto, geralmente precisa de um portátil confortável, leve e com boa autonomia, não de uma máquina pesada com gráfica dedicada.
Antes de abrires o porta-moedas, há quatro perguntas rápidas a fazer ao teu departamento: que aplicações podem ser instaladas em portáteis pessoais, quais só funcionam nas máquinas da faculdade, se existe acesso remoto e, se sim, em que horários, e quão cheios ficam os laboratórios nas alturas de maior movimento.
O aviso realista é este: na época de entregas, os laboratórios enchem depressa e os projetos paralelos normalmente não contam com licenças institucionais. Primeiro, confirma bem o acesso que vais ter. Só depois compra em função do que será mesmo obrigatório fazer em casa. Normalmente, é menos máquina do que os fóruns sugerem.
Há um detalhe que a tabela não mostra: mais núcleos não significam obrigatoriamente mais desempenho efetivo. O T14 G3 chega aos 10 núcleos graças a dois de alto desempenho a 1,70 GHz e mais oito eficientes a 1,20 GHz, enquanto o P15 G2 oferece 8 núcleos a pleno gás a 2,50 GHz. Mas o número que salta logo à vista é o peso: 1320 g nos modelos de 14 polegadas e 2870 g na workstation. A maioria dos estudantes de Engenharia prefere o salto nos núcleos, mas dispensa o salto no peso.
Máquinas Windows de classe profissional, x86, continuam a ser a aposta mais universal, porque todas as ferramentas de Engenharia que funcionam apenas em Windows correm aqui na versão completa, sem truques. Basta pensar num dia típico: apontamentos de aula, trabalho de programação, relatório de laboratório, leitor de PDF e browser cheio de separadores, tudo para levar para a faculdade todos os dias.
Orçamento mais curto. O ThinkPad T480s traz um Intel Core i5-8350U com 4 núcleos a 1,70 GHz, ecrã IPS Full HD de 14 polegadas (1920 x 1080) e pesa apenas 1320 g na mochila. Um equipamento de 2018 continua a ser uma ótima compra quando a faculdade cobre as tarefas mais pesadas e planeias repensar as tuas necessidades no terceiro ano. Não é a escolha certa se precisares de CAD local a partir dessa fase.
Opção padrão para o dia-a-dia. O ThinkPad T14 G3 sobe o nível com um Intel Core i7-1255U de 10 núcleos e gráficos Intel Iris Xe, mantendo os 1320 g. O ecrã, mais alto na vertical (1920 x 1200), mostra mais linhas de código ou de desenho do que um painel 1080p tradicional. As duas portas Thunderbolt 4, duas USB-A, HDMI e porta de rede física garantem ligações suficientes para qualquer aula de laboratório. Há ainda mais portáteis Lenovo nesta gama.
Entre estes modelos há diferenças de peso bem visíveis: de 1120 g até 2870 g. São 1750 g a contar na mochila todos os dias, antes sequer de juntares o carregador. Aulas longas e sessões de estudo raramente garantem uma tomada livre, por isso a usabilidade no campus muitas vezes vale mais do que o desempenho teórico.
Dois modelos respondem bem ao desafio da leveza. O ThinkPad X1 Carbon G11 é a melhor escolha para mobilidade, com 1120 g, equipado com Intel Core i7-1355U, 10 núcleos, gráficos Intel Iris Xe, ecrã IPS de 14 polegadas, duas Thunderbolt 4, duas USB-A e HDMI. O ThinkPad X1 Yoga G1 Titanium pesa 1270 g, tem apenas 11,5 mm de espessura e um ecrã de 13,5 polegadas (2256 x 1504), ótimo para escrever à mão e fazer anotações diretamente.
Dois avisos a reter: o Yoga oferece apenas duas Thunderbolt 4 e ficha áudio, por isso convém prever um hub extra. Ambos utilizam memória LPDDR soldada à placa, ou seja, não podes expandir a RAM mais tarde.
Quanto à bateria, é a única peça que se desgasta num portátil usado. Confirma a condição indicada no anúncio e olha para a bateria como algo que se pode trocar, não como um obstáculo a uma boa compra.
Alguns cursos exigem mesmo correr CAD, simulação ou renderização no teu próprio portátil, não dá para contar apenas com o laboratório. Aí, a escolha muda bastante, e o peso na mochila também.
Workstations completas. O ThinkPad P15 G2 vem com Intel Core i7-11850H de 8 núcleos a 2,50 GHz, ecrã IPS de 15,6 polegadas, teclado numérico, duas Thunderbolt 4, HDMI 2.1 e leitor de cartões, pesando 2870 g. O Dell Precision 15 3551 abdica de dois núcleos para oferecer um Intel Core i7-10750H, 6 núcleos, mas fica quase um quilo mais leve: 1890 g, com o mesmo ecrã de 15,6 polegadas, três USB-A e porta de rede física. Vale a pena comparar outros portáteis Dell.
O compromisso entre potência e portabilidade. O ThinkPad P1 G4 oferece o mesmo Intel Core i7-11850H de 8 núcleos do P15 G2, um ecrã maior de 16 polegadas, mas apenas 18 mm de espessura e 1810 g, menos 1060 g no saco em troca da mesma potência. O ThinkPad P14s G2 é a entrada mais leve para quem só precisa de potência pesada de vez em quando: Intel Core i7-1185G7, 4 núcleos, ecrã Full HD de 14 polegadas e 1470 g.
A configuração gráfica varia de unidade para unidade nestes modelos, por isso confirma sempre o que é anunciado em cada caso. E há custos adicionais a ter em conta: processadores série H e ecrãs grandes significam portátil mais pesado, carregador maior e menos autonomia longe de uma tomada.
Se já tens hardware Apple e o curso é muito focado em programação, o MacBook Air M2 é uma escolha válida. O chip M2 com 8 núcleos dá conta com facilidade de notas, escrita e programação. O ecrã de 13,6 polegadas (2560 x 1664) é o mais nítido desta comparação e, com apenas 1240 g, só perde em leveza para o X1 Carbon G11. A bateria de 52,6 Wh, as duas Thunderbolt 3, MagSafe 3 e o sensor de impressão digital completam o conjunto.
Agora, o alerta: muitos dos softwares essenciais de Engenharia continuam a exigir Windows x86. Os Macs com processador Apple Silicon não conseguem correr Windows nativamente, por isso ficas dependente de máquina virtual, acesso remoto ou de um segundo portátil.
Por isso, faz este investimento só depois de esclarecer com o teu departamento que aplicações vão funcionar em macOS e quais vão precisar de acesso remoto. Confirma primeiro, escolhe depois. Existem mais MacBooks para comparar se a resposta for positiva.
Comprar um portátil usado a um particular e optar por um portátil recondicionado profissional são duas escolhas possíveis para o mesmo orçamento, mas com níveis de risco muito diferentes.
Condição da bateria: é avaliada com rigor e indicada no anúncio, em vez de depender da palavra do vendedor. Configuração: sabes exatamente a RAM e o armazenamento, sem ter de adivinhar pelas fotos. Futuro da máquina: depende de testes e reparações feitos durante o recondicionamento, não de um histórico desconhecido. Período de devolução: tens tempo suficiente para testar o portátil a sério no teu dia-a-dia académico. Garantia: todas as compras via refurbed incluem, pelo menos, 12 meses. E os vendedores são empresas verificadas com histórico comercial, não anúncios privados e anónimos.
Aproveita o período de devolução. Instala o software que usas no curso, puxa pelo portátil durante uma hora, não apenas 5 minutos, e testa todas as portas, o teclado e o ecrã enquanto ainda vais a tempo de o devolver, se algo não estiver certo.
O recondicionado costuma entrar na conversa como solução para quem não pode comprar novo, mas quem já passou por um curso de Engenharia acaba muitas vezes por recomendá-lo por uma questão de oferta e fiabilidade.
Os portáteis profissionais e as workstations móveis são pensados para anos de trabalho em empresas e, quando entram nestes ciclos de renovação, ainda têm muita vida útil pela frente. É assim que um orçamento de estudante chega a uma gama de equipamento que nunca encontraria nova a estes preços: melhor teclado, mais ligações e muito maior facilidade de reparação do que qualquer portátil novo pelo mesmo valor.
Comprar recondicionado deixou de ser sinal de corte no orçamento. É sinal de uma escolha consciente: preferir mais memória e melhor ecrã a uma insígnia nova. A oferta de portáteis recondicionados na refurbed é feita sobretudo deste tipo de equipamentos, e os modelos profissionais Lenovo são um bom exemplo disso.
16 GB de RAM chegam para um curso de Engenharia?
Sim, em praticamente todas as situações. 16 GB chegam para programação, documentos, browser e CAD ligeiro. Projetos grandes, malhas complexas e simulações longas são os casos em que 32 GB fazem diferença. Mas, normalmente, esse trabalho corre em computadores da faculdade.
Preciso de gráfica dedicada para CAD?
Só se vais mesmo correr CAD pesado no próprio portátil. Se as tarefas exigentes ficam nos PCs da faculdade ou em acesso remoto, a gráfica integrada serve perfeitamente. Confirma sempre a configuração gráfica no anúncio do modelo em que estás a pensar.
Comprar um portátil recondicionado de 2018 faz sentido para a universidade?
Sim, especialmente como primeiro equipamento e com orçamento limitado. O ThinkPad T480s chega bem para apontamentos, programação, relatórios e navegação durante vários anos, e ainda te permite reservar dinheiro para um eventual upgrade, que pode acabar por nem ser preciso.
Dá para fazer Engenharia num MacBook?
Em muitos casos, sim, com uma condição: confirma com o departamento do curso que as aplicações essenciais correm em macOS ou que tens acesso remoto a elas, porque os Macs com Apple Silicon não permitem instalar Windows nativamente.
Quantos anos deve durar um portátil de Engenharia?
Quatro anos é um objetivo realista. O que limita a vida útil não é a idade do processador, mas a memória disponível e a bateria.
Qual é a garantia de um portátil recondicionado?
Pelo menos 12 meses em qualquer equipamento comprado através da refurbed, além do período de devolução para testares o portátil no teu dia-a-dia académico. Os detalhes da garantia estão sempre especificados em cada anúncio de portátil.
A maior parte do impacto ambiental de um portátil acontece antes sequer de o ligares pela primeira vez: extração de matérias-primas, fabrico e transporte. Por isso, prolongar a vida de uma máquina já existente faz muito mais diferença do que qualquer melhoria de eficiência enquanto a usas.
A Fraunhofer Austria comparou modelo a modelo. Um ThinkPad T480s recondicionado evita cerca de 304 kg de CO2 equivalente, aproximadamente 77.000 litros de água e quase 1.400 g de resíduos eletrónicos face à compra de um novo, o que representa reduções de 83 a 88% nestes três indicadores. Um MacBook Air M2 recondicionado evita cerca de 284 kg de CO2, 72.000 litros de água e 1.300 g de resíduos eletrónicos: menos 83% do impacto nestas categorias.
Em resumo, um portátil que serve quatro anos seguidos é a compra mais sensata e a escolha com menor impacto ambiental. Confirma o que realmente vais precisar no campus, compra para o que tens mesmo de fazer no teu portátil e presta atenção aos números da RAM e da bateria quando estiveres a pesquisar.
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